Ocorrências da Sessão (23ª Sessão Ordinária da 4ª Sessão Legislativa da 19ª Legislatura)

Em sua Explicação Pessoal a vereadora Zilda Silva teceu o seguinte comentário solicitando sua inserção em ata: "Senhor presidente, na verdade, eu quero fazer um desabafo e é necessário para que a população de Varginha saiba o que está acontecendo nesta cidade. No dia vinte e cinco, quinta-feira, foi a inauguração do tão esperado Centro Integrado da Mulher e não é novidade para ninguém o quanto me empenhei para que esse sonho se tornasse realidade. Não vou contar a história toda, porque eu acho que aqui, diante de vários ocorridos, requerimentos, indicações, viagens, então isso já comprova o fato. Para não me alongar e ser mais objetiva, o Centro só foi possível mediante aos esforços de muitas pessoas, um projeto construído com muitas mãos. Que eu saiba, o que seria correto é a construção da política coletiva. Agora, o Executivo preparar um cerimonial, conforme foi citado e elogiado aos discursos, excluindo representantes femininas que estavam no local, isso é uma verdadeira aberração. Não sei se é por falta de preparo ou se é por politicagem mesmo. Para vocês terem ideia, eu fui convidada a me retirar do assento de onde estariam as autoridades, e também não me deram direito de fala. Eu, como a única representante feminina do Legislativo. O Conselho da Mulher só fez o uso da palavra porque a Mônica Cardoso disse que quebraria o protocolo e que falaria de qualquer forma. Olha, se precisa, se tem necessidade de uma cidade com o porte de Varginha ter que chegar a esse ponto de uma mulher ter que exigir falar para representar as mulheres. Tínhamos ali muitas mulheres que contribuíram com a instalação do CIAM, inclusive o deputado Professor Cleiton, que destinou quinhentos mil reais para a aquisição de bens permanentes através da DEAM. Tínhamos vários presidentes de conselhos que carregam uma grande parte da responsabilidade do Executivo nas costas. Porque a gente sabe que se não são os conselhos, as entidades nas responsabilidades que o Executivo tem, principalmente no meio social, ficaria muito difícil. O Executivo fez, fez sim, mas somente uma parte. O restante só foi possível com ajuda coletiva. Vários vereadores estavam no local e nem sequer citaram o nome. Isso para mim se chama mesquinharia. Nem mesmo Elaine Fabri, que é mãe da Thayná, que deu o nome para o Centro, foi citada. Mas o meu sentimento de profunda tristeza é termos governantes machistas, extremamente machistas, e que no dia da inauguração de um Centro que tem como objetivo o acolhimento e combate à violência contra a mulher, fazem questão de praticar a violência contra a mulher, não dando destaque a elas e contra mim, a única representante feminina na Câmara Municipal de Varginha, onde cometem descaradamente a violência de gênero político e já não é a primeira vez que isso acontece. Como disse, a política não se faz sozinha e com essa afronta eu sinto muito informar aos machistas, as mulheres estão se unindo. Inclusive amanhã temos uma reunião às nove horas. E nos momentos mais delicados da política, que é onde a procura por mulher, para completar a cota de mulheres, é lapidada, é procurada, é vasculhada. Infelizmente, será que é só para isso que nós servimos? Será que nós mulheres só servimos para preencher cotas? E eu quero deixar um recado aqui: mulheres, não permitam serem usadas. Se saírem candidatas, saiam para lutar, para fazer valer a sua vez e a sua voz. Não deixem ser usadas. E eu só lamento, lamento muito, onde uma cidade em que todas as redes sociais eles fazem questão de destacar apenas o Executivo nas suas ações e esquecem das mãos dadas, esquecem os deputados federais e estaduais que muito trabalham para trazer recurso para essa cidade. E isso me entristece muito, porque com essa postura, se eu sou deputada, eu faria o meu discurso, uma nota para a imprensa, jogaria em todos os meios, comunicando que não destinaria um real mais para essa cidade. Porque a politicagem tem que acabar. Só isso, presidente, muito obrigada".